Confrontado com a observação de que as mulheres operadas de gastrectomia subtotal por doença ulcerosa péptica tendiam a perder peso e que, além disso lhes era muito difícil aumentá-lo, o Dr. Edward Mason da Universidade do IOWA – EUA, decidiu aplicar o mesmo principio à obesidade, criando a chamada cirurgia de Bypass gástrico.
Desde a sua criação – 1968 – até aos nossos dias, esta cirurgia sofreu múltiplas modificações na tentativa de melhorar os resultados que no seu inicio não eram muito favoráveis. As alterações realizadas foram-no no sentido de melhorar a perda de peso – Variação do tamanho da bolsa gástrica realizada (actualmente 50cc ou menos); modificação do comprimento das ansas alimentares ( 100 a 150 cms); a variação do diâmetro da ligação entre o estômago e o intestino ( gastrojejunostomia 1,2 cms ); o uso de mecanismos mais redutores como a incorporação de um anel acima da anastomose entre o estômago e o intestino utilizado por Fobi e Capella, e no sentido de minorar as complicações – uso da técnica em Y de Roux; a utilização da via retrocólica e retrogástrica ou antecólica e perigástrica para fazer passar o intestino que vai ligar ao estômago; o encerramento dos orifícios criados pela cirurgia.
No entanto, no decorrer destes anos alguns consensos se criaram em torno desta cirurgia:
• A sua realização por via laparoscópica
• O tamanho das bolsas gástricas, que devem ser pequenas (30 mls)
• As bolsas devem se situar sempre na pequena curvatura para evitar a dilatação
• Deve-se realizar sempre a secção gástrica
Ainda não se obteve consenso:
• A distância entre o ângulo de Treitz e a jejunojejunostomia (braço biliopancreático)
• Comprimento da ansa alimentar ( >100; < 150 cms) As complicações do bypass gástrico são muito menos severas que as do bypass intestinal, podendo aparecer em várias fases do pós operatório: Complicações agudas – normalmente até aos 30 dias: • A mais grave destas complicações é a fistula da junção gastro-jejunal, que tem uma incidência em média à volta dos 3 %, provocando por vezes necessidade de cirurgia urgente ao paciente pelo risco de complicações mais severas ( sepsis) • Hemorragia das áreas de secção, cuja frequência se situa entre os 0,8 e 1,2%, podendo necessitar também de cirurgia urgente para salvar a vida do doente • Tromboembolismo pulmonar, atelectasia pulmonar, pneumonia • Dilatação gástrica aguda Complicações tardias – acima dos 30 dias de pós operatório: • Estenose da anastomose gastro-jejunal, que tem uma incidência que ronda os 6%, necessitando de dilatação endoscópica • Anemia por falta de ferro • Deficiência de vit B12 • Deficiência de Cálcio • Dumping • Úlcera da boca anastomótica • Oclusão intestinal Apesar do número de complicações parecer elevado, a maior parte das vezes não são ameaçadoras da vida das pessoas. No entanto é uma cirurgia que tem uma mortalidade na ordem de 1%. Também é uma cirurgia que a longo prazo ( 5 anos) apresenta uma perda média de excesso de peso de cerca de 75%, mas há que referir também que como qualquer outra cirurgia que trate a obesidade possui uma possibilidade de falência, isto é , uma perda de peso inferior a 50% do excesso de peso na ordem dos 20% O bypass gástrico assume uma importância fundamental no tratamento da diabetes tipo 2, promovendo uma remissão desta doença entre 70 a 80%, mesmo antes da existência de perda de peso, provavelmente à custa de dois mecanismos – o ultrapassar o eixo duodenopancreático, alterando a secreção de incretinas (teoria proximal) e pela chegada mais rápida de açúcar ao intestino distal promovendo uma secreção de GLP1 e consequente melhoria da função pancreática (teoria distal). [/av_textblock]



